quinta-feira, 9 de julho de 2009

DEVOLUÇÃO DE UMA CRIANÇA ADOTADA

Muitos pretendentes se preparam para adotar uma criança e fantasiam um filho sonhado. Mas o que existe é uma criança real. Como a realidade não corresponde ao idealizado, devolvem a “criança-objeto”, aquele que é “o filho dos outros”

A adoção é apenas o processo para se ter um filho. Esta, depois de concluída, será apenas uma etapa dos pais adotantes e do filho adotado. Daí para frente acaba o “filho adotivo” inicia a fase de filho e ponto final.

Alguns pais adotivos levam em consideração a diferença física, o comportamento diferente, a ausência dos laços sanguíneos como fatores determinantes para gerar a hostilidade e a rejeição. É muito mais fácil colocar a culpa da sua incapacidade e irresponsabilidade na criança, que é o ser frágil e que necessita de acolhimento.

Esta criança que já foi abandonada pelos progenitores, (fato diferente de “devolver”), teve o direito de nascer mas tem no seu destino o caminho do abrigamento e possível adoção. Poderá ser amada pelos adotantes mas poderá acontecer um fracasso por parte dos adultos que não lutam pela conquista afetiva.

Os filhos biológicos ou consangüíneos também apresentam dificuldades e os pais não podem “se livrar” deles, expulsá-los de casa. Filhos, sejam gerados pelos pais ou adotados, não tem prazo de validade e não podem ser trocados por apresentarem um possível “defeito” (que todos temos).

As seqüelas ficarão na criança que passa pela devolução. Haverá queda de autoestima, dor, sofrimento, se sentirá rejeitada, incompreendida. O pior que muitos fazem a “devolução” após bom tempo de convivência, machucando sobremaneira aquele que está, muitas vezes, chegando na adolescência. A criança cresce, não é mais dependente e os adultos esquecem que também foram crianças arteiras e adolescentes.

Os adultos que “devolvem“ uma criança deveriam ser juridicamente responsabilizados por tal ato. Sabemos de um caso de devolução em que o jovem desenvolveu “cegueira emocional”. Seus olhos clinicamente perfeitos se negavam a ver o mundo.Tornou-se um cego devido o trauma por que passou.

Pedimos aos adotantes que pensem muito antes de levar uma criança cheia de esperança para casa. É preferível pedir um prazo para pensar melhor, aumentar o período de aproximação e ter certeza no que está fazendo.

Criança não é um brinquedo que é escolhido numa loja e que poderá ser trocado ou devolvido. Nos abrigos não há opções, há pessoinhas cheias de esperança de ter família,de ser amada e respeitada. Criança não é objeto, é GENTE !!!!

7 comentários:

ANA disse...

Realmente a devolução da criança é traumatizante para a criança mas tambem é para os pais e no meu caso foi para o meu outro filho do coração que já tinha de 10 anos. A menina tinha 4 anos e veio para passar o natal e ano novo e no ano seguinte tambem mas veio com esperança de guarda provisória para adoção, mas eis que a juiza não decidia nada e os dias iam passando e não sabíamos se os avos iam pedi-la ou não , e o desgaste foi tanto que entrei em depressão profunda e precisamos devolve-la aos gritos meus e dela.Esto ainda em depressão, e já se passaram 3 anos, de licença médica.E não sei como ela está.

Ad.Consciente disse...

Ana

Que bom que pode desabafar.
Veja que há casos e casos.No seu não havia acontecido uma adoção e a indefinição da autoridade judicial contribuiu para todo esse desgaste emocional de ambas.Sempre achamos que é preciso agilidade e decisão rápida das autoridades ,além da conscientização dos pais.
Acredito que esteja fazendo uma terapia para ajudá-la no caso.
Não podemos criticar nem julgar,apenas pedir que todos envolvidos pensem muito para evitar estas crises.
Desejamos que você consiga encontrar a PAZ e que a criança esteja bem.Muita luz!!!

Andrea Marcondes disse...

É mais uma das situações tristes que envolvem o tema Adoção! Por isso é fundamental levantarmos a bandeira para a participação dos candidatos à Adoção em Grupos de Apoio, não é mesmo? Não há nada de tão burocrático no processo de habilitação, é necessário que se reflita muito antes de dar esse passo que envolve sentimentos de todos os participantes da situação.
Informações estão disponíveis cada vez mais, e mãos amigas para auxiliar também, basta ter consciência da importância do ato de adoção e se preparar para todos os possíveis imprevistos!
Estou indicando o Blog Adoção Consciência para o seu blog para o selo/premio "Vale a pena ficar de olho nesse blog", na tentativa de divulgar o trabalho especial que vocês fazem! ;)

Andrea Marcondes

http://adotante.blogspot.com/2009/08/meu-agradecimento.html

Eq.Ad.Consciente disse...

Andrea.

Mensagens como a sua nos gratificam.Preparando os futuros pais,mesmo de forma rápida,estaremos contribuindo para uma criança entrar em família substituta e encontrar um LAR.
Em nome de nossa equipe,aceite um carinhoso abraço amigo.

ARIANA disse...

Nossa! Que triste isso.
Deve ser feito realmente tudo pra se evitar esta situação. Estou junto nesta! Fiz o curso em dezembro do ano passado, estou na fila. Gostaria de saber informações sobre eventos e encontros.
Obrigada
Ariana

Ana disse...

Olá Ana,

Tenha fé em Deus!Para sair de uma depressão só buscando ajuda profissional e também espriritual. Acredito que isso lhe trará mais conforto.
Há não sei se vc já leu, gostaria de estar te indicando dois livros muito bons: "Filho Adotivo da Vera Lúcia" e "Quando a vida escolhe da Zibia Gasparetto".
Muita luz! Desejo a vc e a essa criança muita sorte e felicidades!!

Ao blog,

Gostaria de saber se este curso também existe aqui no Rio? Pois estou fazendo um trab da facu que irá versar sobre a devolução na adoção.
Vocês estão de parabéns pelo blog!

Ad.Consciente disse...

Olá.

Obrigada pela mensagem enviada para Ana.
Para seu trabalho da faculdade,no Rio, busque:
rosadaadocao@gmail.com
(Barra da Tijuca)
Café com Adoção--2293.8297--9914.5999-Rua da Quitanda,3B-Rio-Centro
www.cafecomadocao.hpg.ig.com.br;
www.quintaldeana.org.br(Niteroi)
Se puder e quiser,nos envie cópia do seu trabalho num dos nossos e-mails que estão no blog.